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Gabinete de André Mendonça nega acesso prévio à delação de Vorcaro e reforça exigências para acordo

Ministro André Mendonça durante sessão plenária no STF — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Nota divulgada pelo STF afirma que ministro não teve contato com proposta apresentada à PF e à PGR; eventual homologação dependerá de critérios legais e reparação de danos


O gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, divulgou nesta quinta-feira uma nota oficial negando que o magistrado tenha tido acesso ao conteúdo da proposta de colaboração premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.


Segundo o comunicado, “quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento”. A manifestação ocorre após a entrega formal da proposta aos órgãos de investigação, realizada nesta quarta-feira, aumentando a expectativa sobre os desdobramentos do caso.


Na nota, o gabinete reforçou ainda o entendimento do ministro sobre acordos de colaboração premiada, classificados como um “ato de defesa” e um direito assegurado ao investigado. O texto, no entanto, destaca que qualquer delação precisa ser considerada “séria e efetiva” para produzir efeitos jurídicos.


O comunicado também enfatiza que a existência de uma proposta de colaboração não interfere no andamento das investigações.


“As investigações devem seguir seu curso regular, independentemente da existência ou não de proposta de colaboração”, afirma a nota.


A proposta apresentada por Vorcaro segue sob análise da PF e da PGR, que poderão solicitar ajustes antes de eventual encaminhamento ao STF. Como relator do caso, caberá a Mendonça avaliar se o acordo atende aos requisitos previstos em lei e decidir sobre uma possível homologação.


Nos bastidores da Corte, a negociação enfrenta resistência diante da exigência de mecanismos efetivos de ressarcimento integral dos prejuízos investigados. A avaliação interna é de que não haverá espaço para modelos em que o investigado apenas negocie um valor fixo de devolução sem garantias concretas de reparação.


Desde o fim do ano passado, Vorcaro é alvo de investigações por suposta tentativa de compra de influência política para preservar as operações de seu banco, posteriormente liquidado pelo Banco Central. O caso é tratado como um escândalo com potencial de atingir integrantes dos três Poderes.


Pela legislação brasileira, acordos de colaboração premiada precisam gerar resultados concretos, como identificação de integrantes de organizações criminosas, esclarecimento sobre divisão de tarefas, rastreamento de recursos e eventual recuperação de ativos desviados.


A sinalização dentro do STF é de que eventuais benefícios penais dependerão diretamente da efetividade da colaboração, da apresentação de provas e do compromisso de reparação dos danos causados.

 

Pacheco diz que ainda avalia candidatura ao governo de Minas após pressão do PT

Rejeição de Jorge Messias ao STF amplia dúvidas na base aliada sobre entrada do senador na disputa estadual

O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), afirmou nesta terça-feira (5) que ainda não decidiu se disputará o governo de Minas Gerais nas próximas eleições. A declaração ocorre em meio à pressão de aliados do Partido dos Trabalhadores e ao aumento de incertezas após recentes movimentações políticas em Brasília.


Apontado como principal aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o estado, Pacheco já sinalizou anteriormente a possibilidade de concorrer, mas ainda não formalizou sua pré-candidatura.


“Vou analisar. Acho que até o final deste mês de maio é um bom tempo”, disse o senador.


As dúvidas sobre a candidatura se intensificaram nos últimos dias, especialmente após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado, o que gerou desconforto dentro da base governista.


Aliados de Lula passaram a questionar um possível envolvimento de Pacheco na articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que teria contribuído para barrar o nome de Messias no plenário.


Apesar disso, pessoas próximas ao senador afirmam que ele continua disposto a disputar o governo mineiro. Já integrantes do PT veem sinais de hesitação. Para esses dirigentes, a demora em oficializar a pré-candidatura e em costurar alianças indica falta de definição para entrar na corrida eleitoral.


O tema foi discutido nesta terça-feira em reunião interna de lideranças petistas responsáveis pela estratégia eleitoral. A formação de um palanque competitivo para Lula em Minas Gerais é considerada prioridade pela sigla.


Há expectativa de que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, se reúna com Pacheco nos próximos dias para tratar do cenário. Questionado, o senador afirmou que ainda não encontrou o dirigente.

 

Lula acena com nova indicação ao STF após viagem aos EUA

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva  • Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


A auxiliares, chefe do Executivo disse que pretende tratar do tema com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a integrantes do governo que pretende bater o martelo sobre uma nova indicação ao STF após retornar de viagem aos Estados Unidos.


A viagem está marcada para quarta-feira (6), quando ele embarca para um encontro com o presidente Donald Trump na quinta-feira (7). A previsão é de volta ao Brasil no fim de semana.


Nos bastidores, a estratégia atual prevê uma nova conversa com o advogado-geral da União, Jorge Messias, que teve seu nome rejeitado pelo Senado na última semana.


Antes de avançar com outra indicação, Lula quer definir o futuro de Messias. No cenário mais provável, ele seria deslocado para o Ministério da Justiça, permanecendo como opção para o STF em uma eventual recondução de Lula ao cargo após as eleições de outubro.


Na sequência, o presidente pretende dialogar com Davi Alcolumbre, que comanda o Senado. A intenção é reduzir tensões recentes e avaliar, junto ao senador, o ambiente político para uma nova indicação.


O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta segunda-feira (4) que a decisão deve sair ainda em maio.


Entre os nomes analisados no momento estão Simone Tebet, além da advogada Carol Proner e da procuradora Manuellita Hermes Rosa Oliveira Filha, ligada à AGU.


Real Time Big Data: 55% dos brasileiros não confiam no STF

Fachada do edifício sede do STF (Supremo Tribunal Federal)  • Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Maioria também desconfia do Congresso e da imprensa, mas confia nas Forças Armadas

 maioria dos brasileiros não confia no STF (Supremo Tribunal Federal), segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (5).

O levantamento aponta que 55% dos entrevistados não confiam na Suprema Corte, enquanto 36% dizem confiar e outros 9% não souberam responder.

O recorte mostra ainda que a rejeição é maior entre eleitores de candidatos da direita. Entre os que declararam voto em Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 78%, 73% e 74%, respectivamente, afirmam não confiar no STF.

Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT), 42% dizem não confiar no tribunal, enquanto 45% afirmam confiar. Já entre os eleitores de Ciro Gomes(PSDB), o índice é dos que confiam e dos que não confiram é de 46%.

Quando questionados sobre o Congresso Nacional, 62% dos entrevistados afirmaram não confiar, enquanto 32% disseram confiar. Outros 6% não souberam responder sobre a confiança na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

No caso da imprensa, a maioria dos brasileiros também demonstra desconfiança: 52% afirmaram não confiar, ante 40% que disseram confiar. Outros 8% não souberam responder.

As Forças Armadas do Brasil registraram o maior índice de confiança entre as instituições citadas: 48%afirmaram confiar, enquanto 44% disseram não confiar. Outros 8% não souberam responder.

Metodologia

Foram ouvidas 2.000 pessoas em todo o país entre os dias 2 e 4 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03627/2026.

CBF aprova contas com déficit de R$ 182,5 milhões em 2025

 

Pagamento milionário ao Icasa e alta nas despesas operacionais pesaram no resultado

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou nesta segunda-feira (27), por unanimidade, as contas referentes ao exercício de 2025. O balanço financeiro da entidade fechou com déficit de R$ 182,5 milhões.


Segundo a CBF, o resultado negativo foi impactado principalmente pelo aumento das despesas operacionais ao longo do ano. Entre os fatores que mais pesaram está o pagamento de mais de R$ 80 milhões ao Associação Desportiva Recreativa e Cultural Icasa, relacionado a uma disputa judicial iniciada em 2013.


A entidade informou que as despesas operacionais cresceram 111% em relação a 2024. Parte desse avanço, de acordo com a CBF, está ligada ao encerramento de processos judiciais e à regularização de pendências financeiras herdadas de gestões anteriores.


Apesar do resultado negativo em 2025, a CBF também aprovou, na mesma assembleia, a previsão de receita para 2026. A estimativa é de arrecadação próxima a R$ 2,7 bilhões.



Cabeleireira pede redução de pena após mudança na legislação penal

Defesa alega que nova regra beneficia condenados e deve ser aplicada retroativamente

A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a redução de sua pena após a derrubada de veto relacionado à dosimetria no Congresso Nacional.

O pedido foi apresentado na tarde desta sexta-feira (1º/5). De acordo com a defesa, a alteração legislativa aprovada recentemente pode beneficiar a ré, já que prevê redução de pena em determinadas situações.

Débora foi condenada a 14 anos de prisão em regime fechado e atualmente cumpre a pena em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo os advogados, houve uma mudança relevante na legislação penal, ainda pendente de publicação, que altera o tratamento dos crimes previstos nos artigos 359-L e 359-M do Código Penal.

A defesa afirma que a nova norma estabelece critérios mais favoráveis ao condenado, como a aplicação do concurso formal próprio e a possibilidade de redução da pena entre um terço e dois terços em casos de atuação em multidão, sem liderança ou financiamento.

Os advogados também sustentam que a lei penal mais benéfica deve retroagir para alcançar fatos anteriores, podendo ser aplicada inclusive na fase de execução da pena.

O pedido, no entanto, foi apresentado de forma antecipada, já que a mudança ainda não foi promulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso isso não ocorra, a promulgação caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Moraes proíbe visitas a Bolsonaro durante internação para cirurgia em Brasília


 Apenas Michelle Bolsonaro foi autorizada a acompanhar o ex-presidente no hospital; procedimento deve durar cerca de 5 horas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a proibição de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua internação no Hospital DF Star, em Brasília.

A decisão foi adotada enquanto Bolsonaro passa por um procedimento cirúrgico no ombro direito, realizado nesta sexta-feira (1º), e se estende ao período de recuperação pós-operatória.

Motivo da decisão

Segundo a determinação, a restrição de visitas tem como objetivo limitar contatos externos durante a internação. Medidas desse tipo podem ser aplicadas em casos que envolvem investigações ou processos judiciais em andamento, especialmente quando há preocupação com possíveis interferências externas ou articulações.

Até o momento, não foram divulgados detalhes específicos sobre qual processo teria motivado diretamente a decisão no contexto da internação.

Estado de saúde

Bolsonaro deu entrada no hospital para a realização da cirurgia ortopédica no ombro direito, procedimento considerado previamente agendado. Não há, até agora, informações oficiais sobre eventuais complicações ou sobre o prazo estimado de alta.

A equipe médica responsável pelo atendimento não divulgou boletim detalhado até a última atualização desta reportagem.

Repercussão e posicionamentos

A defesa do ex-presidente ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão do STF. O Hospital DF Star também não comentou o caso, seguindo protocolos de confidencialidade médica.

Aliados políticos de Bolsonaro, por sua vez, acompanham a situação, mas não houve posicionamentos oficiais relevantes até o momento.

Contexto jurídico

O ex-presidente é alvo de investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Em situações envolvendo figuras públicas sob investigação, decisões judiciais podem incluir medidas cautelares com o objetivo de preservar o andamento dos processos.

A proibição de visitas durante internação hospitalar, embora incomum em casos gerais, pode ser adotada de forma excepcional dentro desse contexto.


Senado rejeita indicação ao STF e impõe derrota histórica ao governo


 O Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma decisão considerada histórica e que representa um duro golpe político para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A rejeição marca um episódio extremamente raro na política brasileira, sendo a primeira vez em mais de um século que um nome indicado ao STF é barrado pela Casa. O resultado evidencia um cenário de tensão entre o Executivo e o Legislativo, além de expor fragilidades na articulação política do governo.


Durante a sabatina, senadores levantaram questionamentos sobre a trajetória do indicado, sua atuação anterior e sua proximidade com o governo. O clima foi considerado tenso, refletindo a resistência de parte significativa dos parlamentares.


Nos bastidores, a votação foi interpretada como um recado direto ao Palácio do Planalto. Líderes políticos apontaram dificuldades na construção de apoio dentro do Senado e criticaram a condução das negociações por parte do governo.


A derrota levanta incertezas sobre os próximos passos do Executivo na escolha de um novo nome para o STF. Integrantes da base aliada defendem que a próxima indicação seja mais equilibrada politicamente, buscando maior aceitação entre diferentes partidos e evitando um novo revés.


Analistas avaliam que o episódio pode ter efeitos além da nomeação ao Supremo, impactando a tramitação de projetos importantes no Congresso e exigindo uma reavaliação da estratégia política do governo.


Até o momento, não há definição oficial sobre um novo indicado. A expectativa é que o governo adote uma postura mais cautelosa, considerando o ambiente político mais sensível após a rejeição.


O episódio reforça o papel do Senado como instância decisiva no processo de indicação de ministros do STF e evidencia a importância do diálogo entre os Poderes em momentos de grande relevância institucional.